MUDANÇA COM SENSIBILIDADE

Quando jovens somos facilmente adaptáveis às mudanças, pois nosso organismo é  maleável assim como  nosso espírito. Porém, à medida que com a idade reagimos às dores da vida, nosso corpo coleciona vícios de funcionamento e postura, defeitos que também se refletem em nossa mente e personalidade. Enquanto que o jovem quer sempre o novo, o mais velho tende a repetir fórmulas, repetir situações, preferindo acomodar-se ao previsível e menos desgastante. A juventude é tipicamente movimento, a velhice mansidão.

Se não soubermos manter a jovialidade estaremos duros e sem criatividade para lidar com as tantas reviravoltas do viver. Frente a qualquer mudança iremos nos desequilibrar, sofrer e não aceitar. Reagiremos à vida inventando rotinas, manias, chatices e por fim comprometendo a afeição dos que mais prezamos.

Às vezes as mudanças vêm de modo abrupto, violento, seja um relacionamento, seja algo em nossa saúde ou mais irremediavelmente diante da morte de alguém querido. Quando enfrentamos uma grande perda, mesmo que não queiramos, somos obrigados a mudar, por mais conservador, resistente ou acomodado que sejamos.

CONDIÇÃO OBRIGATÓRIA   

A mudança é condição obrigatória no Universo. Da estrela mais distante ao mais ínfimo processo biológico tudo é sempre mudança. Nada se conserva como antes e não há forças que possam deter o movimento de tudo.

Não sejas como aquele que obstinadamente tenta enfrentar a tudo que vê, fazendo de qualquer situação uma oportunidade de combate para confirmar seu ego recheado de pretensas e absolutas certezas num imobilismo ideológico que é a expressão verbal de seu imobilismo emocional. Este tem desespero em perceber que poucas coisas são manejáveis e controláveis.

A verdadeira sabedoria é deixar as mudanças se fazerem. Observar, aguardar, confiar que uma observação atenta e uma meditação suficiente sejam preferíveis a simplesmente reagir e atuar. Muitas coisas se resolvem por si e outras no dia seguinte não nos parecerão da mesma maneira ou tão urgentes para que intervenhamos.

O bom exemplo é o surfista que já vai para o mar respeitando-o e sabendo que nas ondas não poderá mandar. Mas vai com a disposição de que é possível nelas fazer manobras escolhendo a melhor direção que deve tomar.

Dr. Hélio Borges de Oliveira Passos
Médico (CRM 16.914) Psiquiatra (RQE 8913) e Psicoterapeuta (RQE 2024)

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