MEU MUNDO NÃO CAIU

Buscar entender  que tudo na vida  tem prazo de validade e um propósito ajuda enfrentar os problemas, segundo afirma gerente comercial que foi acometido por uma  leucemia

ALDERI RABÊLO

Sabe aquelas histórias corriqueiras de grandes revezes  que acontecem    com  o vizinho? Sempre com o vizinho.  Mas a  próxima vítima pode  ser você,  o jornalista que produziu esta reportagem e até  aqueles que acreditam contar com uma superproteção.  Afinal de contas, ninguém  está imune às  intempéries da vida. Frente à vulnerabilidade de todo ser humano, os  infortúnios  podem bater à  porta de qualquer um.

Correto. Mas como agir quando essas situações nos visitam?  O que fazer diante de um diagnóstico de câncer, da morte de um ente, da falência decretada, de uma  traição ou da  notícia que seu filho  entrou pro mundo das drogas? Os que estão do outro  lado da pista, sempre vão dizer para manter a calma.  Outros dirão: vida que segue,  é preciso enfrentar. Pura verdade, por mais que doa e seja difícil, o caminho é levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima.

Nâo é possível  dizer em qual escala, mas  assim como existem aquelas pessoas que se desesperam  e “perdem a cabeça” diante de certos problemas, outras,  mesmo diante do caos instalado, conseguem manter o equilíbrio e a tranquilidade, buscando resolver ou amenizar a situação sem entrar em pânico.

NÃO PERCA A CABEÇA

O gerente comercial Élcio Pereira da Silva, 50 anos,  consegue opinar bem acerca desse assunto.  Seu equilíbrio e sensatez são características destacadas por todos que vivem a sua volta: familiares, amigos e colegas de trabalho fazem questão de pontuar tais atributos. E olha que o homem já passou por algumas dificuldades, mas em todas elas conseguiu manter a paz e o equilíbrio,

De forma  humilde e sempre com um tom ameno, o próprio Élcio reconhece os impactos causados por certos problemas que já vivenciou. Todavia, ele diz que procura sempre manter a  calma por entender que descontrole  não ajuda  em nada. Ao contrário, só atrapalha.  Aliás, sua opinião  encontra amplo respaldo na Ciência. Estudos revelam que a ansiedade e nervosismo diminuem a oxigenação no cérebro e deflagram uma descarga de adrenalina, o que dificulta  a pessoa enxergar  possibilidades e caminhos diante de situações adversas.

Entre os problema que Élcio atravessou, talvez o mais preocupante foi o diagnóstico de uma grave doença em 2001.  No auge dos seus 32 anos de idade, em plena fase acadêmica e com um filho de apenas um ano, ele foi diagnosticado com leucemia mieloide crônica.  Simples exames para atestar a saúde para uma cirurgia de septo nasal apontaram que algo estava errado. Logo depois, a confirmação da indesejada doença.

O OUTRO LADO

“Eu poderia ter me desesperado e entrado em pânico. Mas procurei manter a calma e ver o outro lado da vida. Aprendi muito com essa doença. Ainda faço tratamento, mas o problema está sob controle.  Muitas outras situações conflitantes e difíceis surgem em meu dia a dia. Mas procuro sempre buscar uma solução e ver o que tais problemas querem me dizer ou me ensinar”, relata.

Segundo o gerente comercial, muitas vezes,  na calmaria, quando tudo está sob controle, “a gente não consegue enxergar determinadas coisas e, principalmente a nossa real condição de vulnerabilidade a tudo nesta vida. “ A verdade é que nossa fragilidade nos expõe a todo tipo de acontecimento”, ressalta.

Mas independente da situação, Élcio afirma que é preciso manter a fé, a esperança e saber que tudo tem um prazo de validade e, acima de tudo, um propósito, o qual, normalmente  não costumamos enxergar nos momentos que passamos por tribulações.

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