LIDANDO COM O CÂNCER DE MAMA

Juntamente com os tratamentos convencionais, o atendimento psicológico, apoio familiar e espiritual são fortes aliados para ajudar as pessoas que sofrem com o câncer a superar a doença e a ter mais qualidade de vida

O câncer de mama é o tipo de tumor mais comum  entre as mulheres. Um estudo divulgado pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), mostrou uma incidência de 59.700 novos casos de câncer de mama para 2019. Ainda de acordo com o estudo, três em cada 10 casos estão relacionados com o estilo de vida da pessoa. Hábitos como o sedentarismo, a obesidade e consumo de álcool podem aumentar a incidência da doença.

De acordo com o mastologista Marcelo Philip Leonardo, o câncer de mama é causado por uma multiplicação celular errada. “As células normais da mama se multiplicam, estão constantemente aumentando e, devido a questões genéticas associadas a fatores de risco e a fatores externos, há uma multiplicação celular errada.  Então, aparece uma célula nova que tem capacidade de se multiplicar mais rápido, saindo da mama e indo para outros órgãos, que seria a metástase do câncer”,  explica o especialista.

Segundo o INCA, o câncer de mama pode ser percebido através de sintomas como um nódulo, a pele da mama avermelhada ou parecida com a casca de laranja, além de secreção pelos mamilos. Mas de acordo com Philip Leonardo, a maioria das pacientes aparece com uma alteração de exames de imagem de rotina. “Alteração na mamografia, no ultrassom é muito melhor do que ter um sinal diferente, como um nódulo, dor ou alguma coisa que já fique mais evidente do que ver nos exames de rotina”, enfatiza o médico.

CAUSAS E FATORES DE RISCO

   Resultado de imagem para gravidaExistem diversas causas para o surgimento do câncer, segundo o mastologista, não necessariamente tem que existir alguém na família para a doença se desenvolver. O fator principal para o surgimento é o componente genético associado aos fatores de risco, como a primeira menstruação precoce, a menopausa tardia, nunca ter engravidado, ter o primeiro filho vivo depois dos 35 anos, o sedentarismo e a obesidade. O histórico familiar positivo também é um fator importante, mas não é determinante.  De acordo com o especialista, existem também os fatores externos como a radiação. “A gente não consegue afirmar, mas às vezes a alimentação e o estresse podem aumentar o risco do câncer”, sugere.

A psicóloga Roseane Pracz acredita que o fator emocional pode implicar no surgimento do câncer. “Tudo o que acontece no corpo é antes de tudo uma produção cerebral, na qual, as reações emocionais disparam uma série de substâncias que podem diminuir a eficiência do sistema defensivo no organismo e assim provocar doenças”. Ela ressalta que não é qualquer tipo de sentimento, mas sim sua cronicidade.

Marcelo Leonardo também vai nessa direção de pensamento e diz que o emocional pode implicar no surgimento do câncer. “Não só no surgimento, mas no tratamento. Inclusive  um trabalho de Stanford revela que a maneira pela qual a pessoa lida  psicologicamente  com a doença pode mudar o prognóstico”, pontua.

TRATAMENTOS

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Segundo o INCA, o tratamento do câncer vai depender do estádio que se encontra a doença e do tipo de tumor. Os tratamentos se dividem em modalidades, o tratamento local que é feito a cirurgia e a radioterapia e o tratamento sistêmico, que envolve a quimioterapia, hormonioterapia e a terapia biológica.  O especialista ressalta que o paciente deve ter um tratamento multidisciplinar, com avaliações psicológicas, nutricionais e com fisioterapia. “Não é só um cirurgião e oncologista, pessoas portadoras de câncer têm que ter uma atenção completa”, afirma Marcelo Leonardo.

 A psicóloga Roseana sugere que o paciente pode procurar por atendimento psicológico a partir do diagnóstico da doença, e que esse atendimento, se possível, se estenda aos familiares que também sofrem psiquicamente durante esse processo.

Para ela, o trajeto percorrido por um paciente é repleto de experiências dolorosas e difíceis, mas  enfatiza que é fundamental ter um apoio nesse momento. “Não é um caminho rápido e mágico, enfrentá-lo sozinho pode ser assustador e cruel.  Uma rede de apoio  é  imprescindível durante esse período da vida em que tudo se altera e a incerteza se impõe”. Analisa.

DIMINUINDO O SOFRIMENTO   

O apoio psicológico a esses pacientes, segundo Roseana,  é feito viabilizando o esclarecimento e compreensão da doença, diminuir o sofrimento com o objetivo de oferecer espaço para que o paciente possa processar, falar, ressignificar e entrar em contato com seus sentimentos, uma vez que as mudanças, os medos e angústias podem acabar interferindo na resposta ao tratamento.

De acordo com a psicóloga, é possível que pacientes com o câncer tenham uma qualidade de vida melhor. Uma dessas possibilidades, segundo ela,  seria estratégias de redução de danos, tais como: distúrbios emocionais, recuperação da autoestima, diminuição dos sintomas, melhoria na convivência e na interação social, além de resgate do emocional, e de uma melhor adesão ao tratamento”.

Marcelo Leonardo conta que muitas mulheres deixam de fazer os exames de rotina e chegam em seu consultório depois de fazer o autoexame e apalparem alguma coisa. Mas ele explica que hoje não é mais indicado que se faça o autoexame. “O certo é fazer os exames de rotina, a mamografia e o ultrassom todo ano”. Diz.

Ao contrário do que muitos imaginam, o câncer tem cura sim, quanto mais cedo o paciente for diagnosticado, maiores são as chances de cura. Segundo o mastologista, a prevenção deve começar a partir dos 15 anos, com ultrassom anual até os 35 anos, a partir dos 35 anos fazer mamografia e ultrassom, caso não tenha nada fazer o ultrassom uma vez por ano  até os 40 anos. A partir dos 40 fazer a mamografia e ultrassom anualmente.

Lorena Barros Jornalista

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