ESCAPE DA SOLIDÃO

Doloroso é o sentimento de solidão. É esmagador perceber-se e admitir a necessidade de alívio e atenção dos outros para sentir-se vivo e válido na vida. Esta necessidade nos mostra o quanto de nossa fragilidade. Um sentimento do qual ninguém escapa.

         Há aquele que escolhe viver só. Sólido por escolha requer uma grande capacidade de conviver consigo, conseguir lidar com os momentos de angústia e incerteza, tendo uma consciência própria como única conselheira. Mas para muitos, o solidão é uma contingência da vida, um castigo torturante do qual não é permitido ou não é conhecido.

O mundo moderno faz presente com sua velocidade vertiginosa e gigantismo. O afrouxamento das relações familiares e a impessoalidade levam muitos a uma solidão absoluta, ficando parte do processo social, enfrentando uma vida tediosa e rotineira de parcas experiências pessoais.

VÍTIMA OU RESPONSÁVEL?

Comum, o indivíduo solitário acredita-se vitimado pelas circunstâncias da vida e pelo desejo amoroso, porém raramente mostra-se como a sua vida está tomando este rumo. Qual é sua responsabilidade sobre sua solidão. Que coisas fizeram ou deixaram de fazer para perder os países com o mundo, tiveram suas relações e passaporte habitar o “rol dos invisíveis em meio à multidão”.

Envelhecemos colhendo os frutos do vivemos. Se você não tiver uma vida egoísta, nada será oferecido, mas é muito necessário solicitar no próximo, é inevitável que seja poucos sejamos evitados ou simplesmente ignorados. Se você não cultivar laços honestos e desinteressados, melhorar com pessoas com interesses, vamos ficar com poucos cercados por nossa própria mesquinhez e pobreza de espírito.

Na passividade, podemos ser engolidos pela solidão. Por mais que uma condição solitária pareça incontornável, sempre haverá pessoas no mundo, coisas e acontecimentos nos quais os primeiros podem ser inseridos, espaços para ocupar, amizades para construir. Para isso, é preciso abandonar a passividade fatal, “esperar ser resgatado” da solidão e dar os passos em busca de uma vida enriquecedora e realmente fraterna.

Aquele que mantém um esforço, que honestamente ama e dedica a alguém ou algo, tem muitos por companhia, menos a solidão.

Dr. Hélio Borges de Oliveira Passos
Médico (CRM 16.914) Psiquiatra (RQE 8913) e Psicoterapeuta (RQE 2024)

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