É TEMPO DE CUIDAR DA SAÚDE MENTAL

Assim como é de vital importância cuidar do corpo físico, igual atitude deve ser usada quando o assunto são os cuidados com a mente. Afinal, não se pode fugir da velha máxima que uma mente sã resulta também num corpo são. Uma coisa está ligada a outra

Janeiro é o mês que alerta para a conscientização e prevenção de transtornos relacionados à saúde mental. A campanha do Janeiro Branco promovida desde 2014, convoca e reforça reflexões sobre a importância de cuidar da saúde mental. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a psicóloga Crisciley Massarelli não existe uma definição oficial do termo saúde mental. “Essa expressão é usada através do nível de sua qualidade de vida cognitiva ou emocional”.

Os transtornos mentais incluem alterações no comportamento, emoções e pensamentos. Quando essas alterações causam deterioramento e perturbação do funcionamento pessoal elas são consideradas doença mental.  A psicóloga ressalta que a ausência de doença mental não significa que a pessoa está com uma boa saúde mental. “Existem diversos comportamentos não associados diretamente a uma patologia que podem desencadear um quadro de doença mental, como por exemplo, estresse, irritabilidade, pressão no ambiente de trabalho, relacionamentos não saudáveis, etc”, analisa Crisciley.

A psicóloga coloca os fatores genéticos ou traumáticos como origem de doenças mentais graves.  Entre eles estão a depressão, o transtorno afetivo bipolar, a esquizofrenia e outras psicoses. Fatores hereditários possuem um papel em muitos transtornos de saúde mental. A composição genética torna a pessoa vulnerável a esses transtornos, juntamente com os problemas da vida cotidiana podem dar origem a um transtorno de saúde mental.

LUCIDEZ E EQUILÍBRIO

Segundo o psiquiatra Luiz Antonio Dias, ter saúde mental é quando a pessoa se encontra lúcida, orientada no tempo e no espaço, seu entendimento de mundo é ponderado, sem distorções da realidade e consegue realizar-se equilibradamente, sabendo conviver harmoniosamente com seus pares. “A instabilidade pessoal, familiar, social, político-financeira, trabalhista, espiritual e irritabilidade podem ser desencadeadores da perda da saúde mental”, aponta o psiquiatra.

Mas como conseguir ter um equilíbrio mental? “Cuidar da qualidade do sono, de seus hábitos alimentares, seus pensamentos em relação ao futuro, seja mais leve com você e com os outros, reserve um tempo para o lazer, a convivência com os amigos e com a família, pratique atividade física… Essas são algumas práticas fundamentais”, garante Crisciley.

Segundo o Manual MSD, nem sempre é possível diferenciar com clareza uma doença mental de um comportamento normal. Contudo, é colocada uma eventual linha divisora para tomar como quesitos base para identificar algum transtorno mental. Os quesitos são a gravidade dos sintomas, sua duração e a forma como eles afetam a capacidade de funcionamento na vida diária.

De acordo com a OMS 86% dos brasileiros sofrem de algum transtorno mental, como a ansiedade e depressão. Deste 9,3% dos brasileiros (cerca de 19,4 milhões) sofrem de ansiedade e 5,8% (cerca de 12 milhões) sofrem de depressão. Segundo o psiquiatra Luiz Antonio Dias, as mulheres são mais afetadas por esses transtornos. “A perda da identidade e também a despersonalização que ocorre por opressões, imposições sobre as mulheres fazem do sexo feminino recair uma incidência maior de transtornos mentais em relação aos homens”, afirma o especialista.

RECURSOS NECESSÁRIOS

O tratamento de transtornos mentais é feito com profissionais da saúde, como psiquiatras, psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e enfermeiros, explica a psicóloga Crisciley.  “Ao ter o primeiro contato com o paciente, o profissional fará uma avaliação diagnóstica, e indicará os recursos necessários para recuperação da saúde mental da pessoa”.

Antonio Dias ainda ressalta a importância de procurar ajuda de profissionais com o conhecimento da existência dos transtornos mentais no mundo inteiro, quebrando a resistência das pessoas e familiares quanto à necessidade de se procurar esses especialistas. “Isso tem permitido que avanços conjugados da Psiquiatria, Psicologia e Indústria farmacêutica proporcionem entendimento e recuperação de pessoas com crises de transtornos mentais levando-as a uma recuperação bastante favorável”, salienta o médico.

A saúde mental influencia o indivíduo como um todo, quando não estamos mentalmente saudáveis acabamos nos prejudicando socialmente. É imprescindível cuidar da saúde mental para ter uma vida equilibrada e assim prevenir a manifestação de demais doenças físicas e mentais. A psicóloga alerta para os sinais que nossa mente e corpo nos dão. “Muitas vezes, você sabe que já está no seu limite, mais ainda quer persistir na sua rotina, no seu modo de viver. Pare e se Cuide”, sugere.

O psiquiatra Luiz Antonio Dias ainda ressalta que a prevenção é uma discussão que deve envolver a família, os governos, profissionais de múltiplas abordagens e os indivíduos acometidos de qualquer tipo de transtornos, para uma profunda transformação na sociedade passando pelo aspecto primordial da política humana e mundial”.

PARA  MANTER A SAÚDE MENTAL:

  • Mantenha pensamentos e sentimentos positivos consigo, com os outros e com a vida;
  • Tenha bons hábitos alimentares e durma bem;
  • Pratique exercícios;
  • Evite consumo de álcool, drogas e medicações sem prescrição médica;
  • Diminui o uso das redes sociais, cultive bons relacionamentos, não se isole;
  • Exerça Gratidão;
  • Cuide de sua Espiritualidade. 

GERENCIAMENTO ADEQUADO

Existe uma certa distorção por parte de algumas pessoas no que se refere à saúde mental. Essa característica não significa ausência de doenças, problemas, erros e dores. Estudos revelam que os indivíduos saudáveis mentalmente se alegram e acertam em muitas coisas na vida sim, mas também sofrem e podem errar.

A diferença, segundo especialistas, é que as pessoas saudáveis mentalmente sempre são norteadas pelo equilíbrio e ponderação, elas conseguem gerenciar e elaborar adequadamente suas mais variadas questões, boas e ruins. Diante das perdas e dores, elas sofrem e até vivenciam tais situações, mas não grudam nelas. Buscam aprender com esses eventos, mas encontram recursos internos para tocar a vida.

E quando esses recursos não são suficientes, elas vão atrás de ajuda. Até porque sofrer também faz parte do crescimento humano e contribui para a evolução. As dores para as pessoas que têm saúde mental não são sentenças de morte e sim um momento transitório e pedagógico. Comportamento parecido neste grupo são as situações de alegria e prazer.

Ter saúde mental significa desfrutar dessas oportunidades, mas com sensatez e equilíbrio, sabendo que eles também vão passar, como tudo na vida passa. Se apegar num momento de prazer como se fosse eterno implica num sério risco à saúde mental. Em outras palavras, sem querer usar uma definição precisa ou reducionista, médicos dizem que a saúde mental está totalmente associada ao adequado gerenciamento das emoções, nos momentos de alegria, mas também de tristeza. Trata-se de uma condição que pode ser desenvolvida e aprimorada.

Lorena Barros – Jornalista

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