DIGNIDADE PESSOAL

Entre as orientações que os comissários de bordo dão aos passageiros nas aeronaves, uma delas chama a atenção: “Em caso de despressurização, máscaras cairão automaticamente. Puxe uma delas, coloque-a sobre o nariz e a boca, ajuste o elástico em volta da cabeça e depois auxilie os outros, caso seja necessário”.

Qualquer pessoa que nunca tenha feito uma viagem aérea certamente estranhará essa informação. O senso de amor ao próximo o levará pensar de modo diverso. E se ao seu lado estiver uma criança, um idoso ou qualquer um que não saiba se proteger adequadamente no caso de algum incidente?

Pois é, realmente pode parecer estranho, mas se o viajante não tiver a oxigenação necessária por meio do uso da máscara, não será útil aos que tiverem dificuldade quanto ao manuseio do dispositivo. Logo, morrerá por falta de ar e ainda deixará de salvar vidas.

Esse procedimento nos faz compreender certos aspectos existenciais. Cada um tem a sua história repleta de particularidades. Alguns privilegiados recebem tudo com pouco ou nenhum esforço. Por sua vez, há aqueles que vivem sobrecarregados não só com as próprias cargas, mas também com a dos outros.

RESPONSABILIDADES

O que dizer dos que precocemente ou por falta de opção são obrigados a assumir grandes responsabilidades? Nunca lhes sobra tempo, dinheiro e disposição física ou emocional para olharem mais pra si mesmos e aproveitarem o que de bom a vida lhes oferece.

Amargam experiências dolorosas que costumam causar desordens orgânicas importantes. Assim, o corpo todo padece com males que poderiam ser evitados. De outro modo, um olhar mais atento para si próprio jamais pode ser visto como uma demonstração de egoísmo, ao contrário é uma questão de dignidade.

Quando fazemos coisas para pouparmos quem quer que seja, poderemos prejudicá-lo quanto aos inevitáveis enfrentamentos da vida. Esse indivíduo terá problemas e perderá excelentes oportunidades de crescimento. Dessa forma, a probabilidade de tornar-se um adulto infantil é considerável.

Um dos maiores erros que cometemos é pensar que a doação sem reservas nos tornará pessoas melhores. É preciso avaliar se a nossa ajuda, na verdade, fará diferença na vida de alguém. Mais ainda se contribuirá para transformá-lo num ser humano responsável e capaz de administrar as consequências das suas escolhas.

Luigi Ravagnani – Graduado em Letras e Direito. Pós graduado em Língua Portuguesa luigiravagnani@outlook.com

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