DIGA NÃO Á VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES

Medidas protetivas têm sido cada vez mais fortalecidas e concedidas com o objetivo de amparar e dar segurança às mulheres vítimas de agressões sofridas por seus companheiros

ALDERI RABÊLO

A violência contra as mulheres  tem sido destaque constante  nos veículos de comunicação.  Intimidação,  constrangimento, agressões físicas, verbais  e até mortes parecem tomar proporções gigantescas.   Crimes que, indiscutivelmente,  precisam ser coibidos e tratados com o mais devido rigor da lei.  Mas para isso, as  vítimas não podem ficar caladas. Elas precisam romper com o medo e com o silêncio para que seus agressores  recebam o tratamento compatível às suas ações violentas, com as mulheres, é claro,  porque diante das autoridades,  os “machões” costumam ficar  bonzinhos e bem humildes. As justificativas  para seus atos reprováveis são sempre as mesmas: ciúme, rompimento da relação e outras desculpas esfarrapadas.  Já pensou se essa moda pega?  Uma contrariedade qualquer é motivo para um ataque de fúrias. É preciso dizer não à violência contra as mulheres e meter no  fundo das jaulas esses animais travestidos de homens. Na entrevista a seguir, a delegada da mulher de Maringá, Luana Louzada, comenta  sobre diversos aspectos dos crimes cometidos contra as mulheres, da evolução nas leis, medidas protetivas e como essas vítimas devem proceder diante das violências sofridas.

 

NA SUA EXPERIÊNCIA COMO DELEGADA, A SENHORA ACREDITA QUE UMA MULHER PODE   IDENTIFICAR PREVIAMENTE UM POSSÍVEL AGRESSOR?

Não que seja uma regra, mas, normalmente, os agressores  começam a dar sinais por meio do controle que querem exercer.  Algumas atitudes podem sinalizar para uma possível agressão, a exemplo da posse e do direito que acreditam  ter sobre a companheira. Isso pode ser verificado  nas atitudes que tentam ditar o  tipo de roupa que a mulher deve vestir, no controle dos amigos, familiares, lugares,  monitoramento  do celular, etc.   Entre outras atitudes, essas são algumas que podem alertar a presença de um possível agressor porque de uma forma geral ele vai dando sinais do seu verdadeiro comportamento.

MESMO AGREDIDAS, MUITAS MULHERES ACABAM VOLTANDO A CONVIVER COM O AGRESSOR.  A QUE A SENHORA ATRIBUI ESTE COMPORTAMENTO?

Não se pode atribuir a um fator isolado. Esse ciclo de violência se deve a diversas questões:  o envolvimento emocional, dependência econômica, medo  e também à crença na mudança de comportamento, o qual muitos homens promete.  Depois das agressões praticadas, é comum aquela velha promessa  de mudança.  Além de não acontecer, na maioria das vezes, essa crença da mulher e o fato de não denunciar seu agressor contribuem para que ele venha  praticar o mesmo ato violento de novo.

ALÉM DESSES FATORES, PESQUISAS MOSTRAM UM DISTÚRBIO QUE PARECE FACILITAR A DIFICULDADE DE A MULHER DENUNCIAR SEU AGRESSOR.

Sim, é verdade. Existe um distúrbio conhecido como Síndrome de Estocolmo, que é caracterizado por um estado  psicológico em que algumas pessoas que sofrem violência passam a desenvolver amor pelo agressor. Ao invés de se afastarem, elas se apegam mais ao agressor. Esse não é apenas um caso de polícia, mas que necessita também de um acompanhamento psicológico.

É IMPRESSÃO OU REALMENTE A VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES TÊM AUMENTADO?

Não podemos afirmar  isso.  O que dá pra constatar  é que as mulheres agredidas estão denunciando mais seus agressores e os casos também estão sendo cada vez mais difundidos pela mídia. Vale ressaltar também que está havendo um maior  rigor das sanções contra os agressores e do fortalecimento das medidas protetivas

A MULHER VIOLENTADA  PODE MESMO CONTAR COM A PROTEÇÃO DA JUSTIÇA?

Sim, ela pode contar. Hoje existem diversos dispositivos que garantem a segurança e proteção contra os agressores. A própria patrulha Maria da Penha é um recurso específico que visa a proteger a mulher rapidamente. O botão do pânico também é um aplicativo de celular destinado às mulheres que sofrem agressões e que dá acesso direto a Patrulha. Além disso, os agressores que descumprirem as medidas protetivas poderão ser presos sem direito a fiança. Todo esse conjunto certamente  dão mais proteção à mulher.

A SENHORA CONCORDA QUE, APESAR DE TUDO O QUE EXISTE É PRECISO AMPLIAR O RIGOR DAS LEIS E PROTEÇÃO Á MULHER?

Posso dizer que isso está acontecendo. As medidas estão evoluindo. Mas não basta as medidas  se não houver uma boa fiscalização. Aliás, ela é fundamental para coibir e punir os agressores. Não adianta existir e conceder medidas protetivas se não houver uma efetiva fiscalização. Isso já se faz, mas é preciso avançar neste sentido.

É PROVÁVEL QUE ESSES MESMOS “MACHÕES’ COM AS MULHERES AGEM DIFERENTE AQUI, NÂO É MESMO?

Com certeza o discurso e o comportamento são outros. Se aproveitam da fragilidade feminina, mas aqui agem diferente.  Muitos até choram e querem posar de vítimas, atribuindo a culpa de tais atos as suas companheiras. Fazem promessa e juras de mudança. Mas dificilmente as cumprem.  É claro que são vários os motivos que muitas mulheres não aceitam a violência e não denunciam. Mas somente elas poderão colocar um ponto  final. Enquanto aceitarem quietas, os agressores  continuarão agindo.

(Entrevista) Delegada da mulher, Luana Louzada