Condescendência Não Educa

 A condescendência para com os filhos é algo recente. As influências das novas ideologias e as marcantes mudanças na qualidade de vida, tem produzido gerações educadas sob o princípio da compreensão e da liberdade.

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Esta era de compreensão tem tido um papel importante e provavelmente reescreverá o futuro da humanidade no sentido de um mundo mais justo e fraterno. Mas como um pêndulo que procura o centro e acaba na posição extrema, este movimento de ajuste de uma era passada cai no exagero criando ruins distorções. Acontece que estas novas gerações criadas com tantos confortos e compreensão não se mostram mais felizes por causa disto. Excessiva permissividade, individualismo e vazio tem marcado seus passos.

A todos, indiscriminadamente, foi dado o direito de ter traumas, limitações emocionais e culpabilizar os pais, ou à sociedade por seus atos e suas deficiências. Porém tentar explicar o mau comportamento das pessoas por seu passado, condições econômicas ou psicológicas é um desserviço.

 Atualmente observamos estarrecidos à decadência de costumes e da ética. As crianças criadas outrora com mínimas noções de limites, hoje são jovens bradando raivosamente contra seus pais, acusando – os e exigindo – lhes cada vez mais coisas como se estes lhes fossem eternos devedores.  Conjugues que ofendem o parceiro porque “o outro” não o compreende ou não lhe atende os desejos. Pessoas que se drogam ou embebedam por isto ou aquilo. Bandidos que se tornam “pobres e incompreendidas” vítimas de uma “sociedade desumana e capitalista”.

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É inevitável que os pais não sejam perfeitos na criação dos filhos e haja dentro de cada um algo que seja desconfortável e possa prejudicar a vida adulta. Porém os pretensos “traumas de infância” explicam, mas não justificam que um adulto espanque uma criança ou a atinja moralmente. A insatisfação conjugal explica, mas não justifica que se falte com o respeito pelo parceiro. A pobreza, explica os fatores predisponentes, mas não justifica que alguém se torne bandido e venha a fazer mal a terceiros. Ter uma história é uma coisa, o uso que irá se fazer disto é algo completamente diferente.

Somos produtos inacabados de nossa história, mas finalizados por nossas escolhas.  Somos o primeiro e o último responsável por nossas ações e desculpas nada nos redimirão. Não há justificativa para não se buscar a transformação. O Homem não é necessariamente destinado ao mau, porém se nada o fizer a ervas daninhas ocuparão o jardim que deveria crescer dentro de si.

Já se compreendeu demais em nossa época, já nos demos muitas desculpas e guarida para os maus atos nossos e os alheios. Porém sem esticar a corda não se afina o instrumento. Precisamos nos esforçar pelo auto-aprimoramento. É preciso que seja inaugurada agora a era da responsabilidade, ou seja: “entendo o porquê do que sou, mas é unicamente minha a responsabilidade pela mudança e construção de meu futuro”.  Se assim não o fizermos, continuaremos estacionados nesta imaturidade rebelde e inconseqüente com que temos olhado o mundo, criando e mantendo suas mazelas e crueldades, apenas apelando para absurdas razões.


Dr. Hélio Borges de Oliveira Passos

Médico (CRM 16.914) Psiquiatra (RQE 8913) e Psicoterapeuta (RQE 2024)

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