Doar medula pode salvar vidas!

Para se ter uma ideia da importância, para cada transplante realizado,  cerca de 80 doenças em diferentes estágios e faixas etárias podem ser curadas e uma vida salva.

Milhares de pessoas são diagnosticadas com doenças no sangue, sejam primárias da medula óssea (a fábrica do sangue), leucemias, ou do sistema linfático, ou também como a destruição de células do sangue por agentes infecciosos, em algumas situações causadas por certas drogas ou outras doenças.

O tratamento mais indicado é o transplante da medula óssea. Pois, como ela é a fábrica do sangue, e se encontra dentro dos ossos, seu tecido líquido e gelatinoso que ocupa o interior dos ossos desempenha um papel fundamental no desenvolvimento das células sanguíneas. Lá,  acontece a produção dos leucócitos (glóbulos brancos), das hemácias (glóbulos vermelhos), e das plaquetas.

Um transplante de medula óssea pode beneficiar o tratamento de cerca de 80 doenças em diferentes estágios e faixas etárias, entretanto, encontrar um doador compatível é um grande desafio.

Segundo a assistente social do hemocentro regional de Maringá, Ângela Maria Tessaro, existe uma grande mistura de raças e diversidade genética no Brasil e por mais que o número de doadores evoluiu muito, ainda é preciso de mais pessoas dispostas.

O médico hematologista Francismar Prestes Leal relata a dificuldade de encontrar compatibilidade genética entre as medulas de quem doa e de quem recebe. Segundo ele, o número é de 30% entre irmãos e muito menor quando a busca é por doadores não aparentados.

EU QUERO DOAR!

Para quem deseja ser doador, a assistente social lembra que “qualquer pessoa entre 18 e 55 anos, que tenha uma boa saúde pode fazer o cadastro para esse fim.  Ela comenta, ainda,  que o teste de histocompatibilidade (HLA) é feito junto com o cadastro, onde se identificam as características genéticas que são enviadas para o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (RODOME).

Após esse passo, o cadastro é liberado e inicia-se a pesquisa de pacientes compatíveis que precisam do transplante. Caso não haja compatibilidade prevista para a vasta fila de espera, o doador fica aguardando.

Já nos casos que há compatibilidade de características genéticas, o doador é submetido a outros exames mais específicos para testar a situação da saúde. Conforme explica Ângela,  esses exames irão verificar a qualidade da medula do paciente.

       FACILITANDO O PROCESSO

     As informações que são inclusas no Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea (REREME)  se cruzam com as do REDOME para facilitar na verificação de pacientes e doadores, onde o próprio sistema refaz a busca, todos os dias. Mas existem casos que há a necessidade de uma busca que ultrapasse os solos brasileiros.

Quando isso acontece, a busca passa a ser na Rede BrasilCord, onde a equipe do registro parte  para a busca internacional que ocorre praticamente de forma simultânea dentro do processo de buscas de cordões umbilicais que estão cadastrados.

Assim aconteceu com Thiago Ruy, um jovem, maringaense e estudante. Ele foi diagnosticado com linfoma linfoblástico em 2015, passou pelos tratamentos, mas a doença retornou cerca de três anos após, só que ainda mais forte e a única solução seria o transplante de medula óssea.

O primeiro passo foi procurar na família, mas os pais de Thiago eram apenas 50% compatíveis, e a irmã, Daniele Ruy Amaral, de 37 anos, não chegava a 1%. Como segunda opção, iniciou-se a busca por um doador no Registro de Doadores de Medula Óssea (Redome). Na época, a irmã de Thiago criou uma página no Facebook chamada “Juntos com Thiago Ruy Amaral”, onde compartilhou a história, pediu ajuda e incentivou a doação de medula óssea.

A chance de encontrar um doador era de 1 a cada 100 mil, já que a procura na família não teria obtido sucesso, mas Thiago teve sorte, encontrou quatro pessoas com certa compatibilidade. O mais compatível (95%) foi um turco de 42 anos. A única diferença estava no sangue: Thiago era A positivo e o doador, O positivo, mas isso não atrapalhou o procedimento e hoje o rapaz se recupera do transplante que foi realizado com sucesso.

FORMAS DE DOAR

O hematologista Francismar explica que existem duas formas que são principais para realizar essa doação  Na primeira, geralmente, o doador é submetido a um procedimento feito em centro cirúrgico,  que tem duração de aproximadamente duas horas. São realizadas múltiplas punções, com agulhas, nos ossos posteriores da bacia e é aspirada a medula.
Já na segunda condição, que é conhecida como aférese, o especialsita diz ser uma “alternativa de colher as células-tronco através de uma máquina que filtra o sangue”.  Mas, relata também  a possibilidade de outro modo de se conseguir células, pelo sangue do cordão umbilical doado  voluntariamente pelas mães, logo após o parto.

Isso  pode ser utilizado imediatamente ou preservado por congelamento para uso posterior.  Sua principal vantagem é que as células do cordão estão imediatamente disponíveis. Não há necessidade de localizar o doador e submetê-lo à retirada da medula óssea. Além disso, não é necessária a compatibilidade total entre o sangue do cordão e o paciente.

      Em todo caso, essa forma de doação precisa ser em uma maternidade credenciada ao programa da Rede BrasilCord (que reúne os bancos públicos de sangue de cordão). Portanto, não pode ser feita em qualquer hospital ou por qualquer pessoa. Doar medula óssea é um procedimento seguro, além de salvar vidas, as células doadas são substituídas rapidamente pelo organismo, como na doação de sangue.

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