A REPETIÇÃO DO SOFRIMENTO

Uma mesma situação tende a se repetir de diferentes formas ao longo da vida de uma pessoa. Não os mesmos fatos, mas os mesmos eventos no coração. Não da mesma forma, mas com o mesmo resultado. Não necessariamente com as mesmas pessoas do passado, mas com o sentimento de que as do presente estão a reprisar.

Coisas ruins, sentimentos ruins, contextos que se encerram. Pois há imperfeições em todas as pessoas. Incompletudes que em maior ou menor intensidade tendem a se manter pela vida, fazendo com que os mesmos problemas, dilemas, ou padrões de relacionamento se repitam.

Cultivando o sentimento de inadequação, buscamos em torno de nós, provas de que não somos considerados. Um padrão de tristeza e abandono tende a se manter, mesmo que a vida ofereça oportunidades inúmeras de convivência. Uma hostilidade vivida busca o confronto diário.

Somos inclinados a nos repetir, pois não criamos uma mente completamente nova a cada dia. Colocamos sim, novas vivências e experiências sobre antigas e arraigadas crenças e padrões.

SATISFAÇÃO DA AMBIÇÃO
O aprimoramento das habilidades nos satisfaz a ambição por conquistar, se destacar e vencer os desafios. De forma complementar, saber cada vez mais nos torna conscientes, agraciados pelo conhecimento e, assim, conseguir estarmos acima da média da ignorância comum. Enfim, o aprimoramento do espírito dá um sentido sagrado à vida.

Nem habilidades, nem conhecimentos, nem aperfeiçoamento espiritual resistem aos velhos tempos depositados em nosso coração. É como o lodo que descansa no fundo do rio e que com qualquer provocação turva a água cristalina.

Compreender o próprio passado, os fatos e pessoas que nos fizeram como somos é fundamental para superar as próprias agruras e caminhar na vida. Mas olhar o que nos fizeram, deixaram de fazer, nos aconteceu ou deixou de acontecer explicam quase tudo, mas não tudo. Porque na outra ponta sempre estivemos nós. E é o papel que tivemos, nossas respostas e decisões, que realmente nos fizeram o que somos agora.

Somos assim desafiados a agir de outra forma, vivenciar tudo com um outro contorno. E, dessa forma, escaparmos à repetição de nossa própria danação. Se não entendermos nossa autoria, seremos eternas vítimas de nós mesmos.

Hélio Borges