CONVENIÊNCIAS DOS ACORDOS

Diante da possibilidade de perderem tudo, no caso de uma demanda judicial, muitas pessoas optam pelo “menor dos males”, ao acertarem um acordo, onde ambas as partes precisam fazer concessões. Ocorre que, nos dias atuais, essa prática parece estar um tanto esquecida.

A realidade é que as pessoas estão cada vez mais intolerantes. Ninguém tem mais paciência de esperar. Raros são os que têm paciência com os mais velhos. Muitos, aliás, não têm paciência com seus próprios pais. Pais, curiosamente, não têm paciência com os filhos.

Ao que parece, a maioria das pessoas anda vivendo apenas para o trabalho, para o dinheiro, ou pelo dinheiro. E essa busca incessante pelo ter, pela ascensão social, tem tornado o mundo cada vez mais intolerante. É cada um por si, sendo essa triste realidade constatada até mesmo no seio das famílias.

No trânsito, por sua vez, é que podemos observar as mais diversas formas de intransigência, bastando o semáforo abrir, por exemplo, para o motorista detrás soltar a buzina, sendo no trânsito, também, que notamos ocorrerem discussões tolas que depois resultam em tragédias.

TER RAZÃO NÃO BASTA
E, assim, pessoas “cheias de razão” seguem gritando, externando toda irritação, toda indignação, muitas vezes através de longos processos judiciais, sem saber onde vão parar.

É certo que há conflitos de interesses que não são solucionados senão pela intervenção do Estado. Todavia, pequenos desentendimentos ou meros aborrecimentos não deveriam se transformar em demandas, uma vez que, se utilizado o bom senso, seriam facilmente resolvidos.
A Justiça brasileira está ficando cada dia mais abarrotada de processos. Por mais que juízes e servidores se esforcem para agilizar o andamento, com o cumprimento de metas estabelecidas pelos Tribunais, a lentidão ainda predomina. Esse fato por si só já seria suficiente para incentivar as partes ao acordo.

Entretanto, para se chegar a uma avença é necessário deixar de lado o componente emocional, muito fortemente encontrado em ações que envolvem laços familiares, onde as partes levam para o processo todo o ressentimento, mágoa, entre outros sentimentos, o que dificulta o ajuste.

Mas havendo possibilidade de uma solução preventiva e amigável para a questão, tanto melhor, considerando os inconvenientes das demandas, o desgaste emocional e temporal, além do risco de sair perdedor na disputa.

Rejane Rabelo

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