UM PROJETO DE IMORTALIDADE

Atormentados intimamente, convivemos com a onipresença do assunto: morte.

A certeza do nosso próprio fim, a morte dos que prezamos e das pessoas as quais presenciamos ou temos notícias, mostram a fatalidade na vida, a fragilidade de nossa condição.

Quando insistimos em nossos diferentes graus de arrogância e vaidade, tentamos no fundo, nos proteger de nosso medo fundamental: desintegração e anulação. Todo projeto de poder e posse, quanto mais obcecado e obsessivo, toda radicalização de ideia, até uma eventual cegueira religiosa, não passam de uma ilusão de eternidade.

Aquietando a mente e acalmando o coração, conseguimos observar a passagem do tempo e a relatividade das coisas, pensando em todos aqueles que já passaram por esta terra, e como nós, eles já se perguntaram se ao menos uma lembrança sua seria preservada em gerações futuras.

DIFERENÇA É A PAZ
Uma religião pode despertar a humildade ou provocar a pretensão. E ambos os sentimentos são em relação a um só centro de gravidade, que é a finitude. A diferença objetiva é a Paz que estas diferentes escolhas nos trazem. Assim, o caminho será a abnegada aceitação e fé numa Sabedoria Maior, ou seu oposto: digladiar-se com tudo, impetuosidade e certezas dogmáticas.

Há algo bem comum na atualidade: são as fórmulas prontas de triunfo e felicidade. Seus propagadores enchem a boca de positividade, invocando a pretensão coletiva de um domínio vigoroso sobre nossa falta crônica de “superpoderes mágicos”.

Brincar de super-herói é parte da infância. Na fase adulta, se não há a aceitação de nossa falibilidade, não acontece o ingresso na maturidade. Costumam dizer que os animais têm menor consciência da finitude. Já no bicho-homem, esta dolorosa percepção é a própria caída do paraíso natural em um mundo humano onde abundam as lutas por conhecimento, poder e domínio sobre nossos futuros incertos.

Sabemos com certeza, porém, que nossos feitos poderão permanecer após nossa retirada. Teremos vivido plenamente, se apesar da angústia da morte, tivermos deixado feitos de feitos de Amor e construtividade, inspirando uma família ou a toda uma civilização. Se ao contrário, o patrimônio deixado for de maldades, terão essas sido mais vidas desgraçadas, combatendo à própria fragilidade e tentando fustigar a Lei Natural que não dará ouvido a este malcriado esperneio.

Hélio Borges de Oliveira Passos

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